quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Quase, de Mário de Sá-Carneiro
Quase, de Mário de Sá-Carneiro
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Duchamp
"Sob a alçada de uma carga irónica e de descontextualização, Duchamp retirou um urinol do seu contexto, inverteu a sua posição e escreveu por baixo 'A fonte'. A subversão metafórica está no facto de o urinol ter como função a recepção das águas terminais, e agora, sob o conjunto de alterações introduzidas, a ideia subjacente é invertida - nascente (águas iniciais)" (daqui)
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
Proposta de correção do teste diagnóstico
Proposta de correção do teste diagnóstico [aqui].
1.
Nas quatro primeiras estrofes do
poema, encontram-se representadas
sensações visuais e
auditivas, através dos elementos
seguintes: «que já vi mas não vi» (v. 3)
(sensação visual); «As crianças, que brincam às sacadas altas, / Vivem entre
vasos de fores» (vv. 5-6) ( sensação visual); «As vozes, que sobem do interior do
doméstico, / Cantam sempre» (vv. 8-9) (sensação auditiva).
2.
Na terceira estrofe do poema, o tempo da infância
é caracterizado por um ambiente de despreocupação feliz, sugerido pelo acto de
brincar («As crianças, que brincam às sacadas altas, / Vivem entre vasos de
fores» ( vv. 5-6) e pela não consciência da passagem do tempo («Sem dúvida,
eternamente.» ( v. 7).
3.
A relação que o sujeito poético estabelece com «os
outros» nas seis primeiras estrofes é marcada pela diferença. De acordo com o
sujeito poético, os «outros» são felizes, como se deduz a partir dos elementos
referidos no texto, nomeadamente, a alegria aparente (v. 2 e v. 4), a brincadeira
(v. 5), as flores (v. 6), o canto (vv. 8 a 10), a festa (v. 11). O sujeito
poético considera-se um ser à parte e diferente deles: «São felizes, porque não
são eu.» (v. 4), «Que grande felicidade não ser eu!» (v. 14).
4.
A dor e
o vazio expressos
na última estrofe,
particularmente no verso
«Um nada que
dói...» (v. 26), decorrem das refexões desenvolvidas nas
duas estrofes anteriores. O sujeito poético questiona-se quanto aos «outros» (v.
15) e aos seus sentimentos, concluindo que
cada outro é um eu (v. 16) e só é
possível sentir enquanto «eu» ou «nós» (vv. 21-24). Assim, não se pode saber o
que eles, os «outros», sentem (vv. 17-20), pois existe uma incomunicabilidade
essencial entre os seres humanos, de que resulta a consciência individual
separada de cada eu.
1.1. D
1.2 B
1.3. C
1.4.D
1.5 C
1.6 A
1.7 A
1.
2.1. “as
terras”
2.2. Sujeito
(composto)
2.3. (Oração)
subordinada (adverbial) consecutiva
Correção a partir daqui: http://cdn.gave.min-edu.pt/files/388/Portugues_639_CC1_11.pdf
Ponto de partida
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.
Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um á-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorri!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...
Miguel Torga
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